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Morre o comentarista Francisco Milioli Neto


Por Michelle Veiga

Data: 06/04/2018

O Rádio do Sul de Santa Catarina acaba de perder um dos maiores nomes de sua história. Morreu aos 77 anos, Francisco Milioli Neto. Quis a ironia do destino que o último suspiro deste ícone da imprensa fosse dado justamente no aniversário do primeiro título do Criciúma, conquistado em 1986, quando Milioli deixou os microfones para assumir o papel de dirigente. Chico estava internado havia pelo menos uma semana, mas seu quadro de saúde era delicado havia quase um ano.

Em 2017, depois de um procedimento cardíaco o quadro se agravou e os médicos descobriram que Milioli estava com Esclerose Lateral Amiotrófica. Por mais uma destas ironias do destino, um dos primeiros sentidos afetados pela doença foi a fala. Milioli resistiu, lutou, mas mês após mês foi sendo afetado pela doença e hoje aos 12he30min ele entrou para a história e deixa um legado de amor e paixão ao Rádio.

Abaixo trecho de uma entrevista feita com Milioli Neto quando ele estreou na Transamérica, sua primeira experiência em FM.

Quando era apenas um estudante do Colégio Lapagesse, foi convidado pelo amigo Clésio Búrigo (já falecido) para trabalhar na Rádio Eldorado, de Criciúma. Tinha 15 anos. Mais de meio século depois, é impossível falar da história da imprensa e do rádio sul-catarinense sem mencionar Francisco Milioli Neto.

Em 1956, eu estudava e o Clésio me convidou para trabalhar em rádio. Aceitei e nunca mais parei. Nestes 50 anos, passei pela Eldorado, pela Difusora e agora estou aqui na Transamérica”, conta Milioli, 65 anos, que também dedicou boa parte da carreira ao jornal e à televisão. “Comandei a primeira transmissão da extinta TV Eldorado, mas também fui funcionário público e atuei em outras áreas da iniciativa privada, sempre de forma paralela às minhas atividades na imprensa”, recorda.

A ligação de Milioli com o rádio surgiu graças ao futebol. Fanático pelo esporte, sintonizava as rádios cariocas para saber do Bangu, o primeiro time do coração. A ligação com o Comerciário e o Criciúma surgiu depois. “O Bangu decidiu o título carioca de 51, tinha uma equipe fantástica. Ouvia as notícias do time pelas rádios cariocas, e tomei gosto pela coisa”, destaca.

A união entre o comentarista e o futebol foi tão intensa que em 1986 Milioli deixou a cabine de transmissão para assumir um posto de diretor no Criciúma Esporte Clube. A parceria deu certo. Milioli ajudou o clube a conquistar o primeiro título catarinense (a equipe havia sido campeã em 69, mas ainda com o nome de Comerciário). “Senti que poderia ajudar o clube e abracei o time. Esse elo se mantém até hoje, e sempre vai existir. Antes de ser dirigente, juiz ou profissional de imprensa, somos torcedores. Não tem como separar”, avalia.

Apesar de ter ajudado o Criciúma a engordar a galeria de títulos, Milioli mantém com a torcida do clube uma relação de amor e ódio. Essa relação conturbada está explícita na rede mundial de computadores. Duas comunidades do Orkut dividem os que amam (“Eu amo Milioli Neto”) e os que odeiam o comentarista (“Te aposenta Milioli Neto”). “Isso é natural. Todos que emitem opinião, criticam ou elogiam alguém ou alguma entidade provocam naturalmente estes dois sentimentos”, ameniza.

Aos 50 anos de carreira e estreando em FM, Milioli Neto faz uma crítica à sua trajetória profissional: “Acho que podia ter sido mais organizada. Sofri muito em função de toda a turbulência provocada pelos momentos políticos vividos pelo País.” Mas está satisfeito com a atual fase da vida: “Neste momento, estou provando uma nova sensação, que é trabalhar em FM. Está sendo uma experiência interessante, que colocou minha versatilidade à prova.”

As últimas homenagens serão prestadas no crematório em Içara, mas o horário ainda não foi detalhado pela Família. Prefeito de Criciúma e o gre devem decretar luto oficial de três dias.






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